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Trabalho Processivo e Crescimento Pessoal

Para mim, ser feliz é estar fluindo conscientemente no próprio processo de crescimento. Desta forma, as pequenas coisas, “boas” ou “más”, se encaixam num contexto mais amplo, ecológico, ou seja, que inclui a natureza, e passam a compor o fascinante história – ou lenda – da própria vida pessoal, relativizando dores, alegrias e dando-nos aquela sensação, de tirar o fôlego, de estarmos vivendo plenamente. Em paz com nosso interior e com o Universo.

Assim, a escolha do Trabalho Processivo como visão de mundo, paradigma existencial e método de trabalho, tornou-se inevitável quando, em 1999, enquanto procurava uma aplicação social para a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, encontrei Arnold Mindell que dizia em seu livro The Shaman's Body de 1993 (em tradução livre):

“(…) Os métodos modernos são úteis, até mesmo maravilhosos para muitos de nós, a maior parte do tempo. (…) Eles são interiores demais e não lidam com a transformação das comunidades e com o espírito do ambiente que nos cerca. (…)

Nossas técnicas modernas geralmente não têm aquele senso de poder especial, ou magia, e não lidam com temas globais tais como racismo, homofobia, direito das mulheres e pobreza. Sigmund Freud, Carl Jung, Alfred Adler, Abraham Maslow, Carl Rogers, Virginia Satir, Fritz Perls e centenas de outros nos trouxeram muito. Mas a terapia precisa de sangue novo para fortalecê-la de maneira que possa trabalhar com problemas políticos, abuso, revolução e pobreza ao invés de focar principalmente as pessoas da classe média e alta que tenham o tempo, a segurança e a calma necessárias para um trabalho interior.

Vamos olhar, criticamente por um momento, onde nós estamos com a terapia e as tradições espirituais. Considere, por exemplo, o desenvolvimento de minha psicologia baseada em Jung, que eu chamo de psicologia orientada pelo processo, que fornece ferramentas para revelar segredos codificados em sonhos, sinais corporais e estados de transe. Ela é otimista, suas ferramentas e conceitos permitem-me trabalhar com pessoas em estado de coma da mesma maneira como eu poderia trabalhar com grandes organizações. Até o presente estudo, no entanto, eu não tinha desenvolvido conceitos de desenvolvimento e dicas sobre o viver no ambiente natural e com a vida cotidiana.”

Precisa dizer mais?

Se você quiser saber como Mindell utilizou suas bases teóricas e filosóficas, seu livro O Caminho do Rio, publicado no Brasil, é uma boa leitura.

Raul Monteiro
 

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