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I Ching - Um sonho encomendado

Por que alguém encomendaria um sonho?

Porque o sonho - este que nos ocorre quando dormimos - desde tempos imemoriais, por muitos sábios e muitas religiões, tem sido considerado como mensagem.

Isto mesmo: mensagens, que as religiões acreditavam virem de Deus e a psicologia moderna, a partir de Freud, como sendo enviadas pelo "inconsciente", ou seja, por alguma instância além de nossa mente racional.

Carl Gustav Jung, um psiquiatra suíço, criador da Psicologia Analítica, depois de ter sido excluído da psicanálise freudiana (acusado por Freud de ser "um 'religioso' metido a cientista") foi muito além do mestre e provou que, além da nossa subjetividade pessoal, existe algo objetivo e supra-pessoal que ele denominou de "inconsciente coletivo", no qual vivem os mitos, os deuses e... os sonhos.

Provavelmente por isto, Jung, como cientista empírico que foi, chegou a afirmar que: "se Deus existe, ele passa pelo inconsciente"

Os sonhos tinham, para Jung, a mesma importância que nas antigas tradições religiosas e podiam conter mensagens sobre o passado, o momento atual e o futuro! Só que, para ele, os sonhos não se disfarçavam mas, transmitiam sua mensagem diretamente, sem ocultar nada. O problema é que utilizam uma linguagem que o homem moderno não entende e que, já não há mais profetas ou iluminados para interpretá-los, como na antiguidade. Jung costumava dizer que, para ele, o I Ching era como um velhinho de 3 milhões de anos. Um profeta também?

Jung teve acesso ao clássico chinês Livro das Mutações – I Ching na década de 1930 e passou a utilizá-lo desde então, afirmando, como o título desde artigo, que consultar o I Ching era o mesmo que encomendar um sonho, para responder a uma questão ou dúvida existencial de quem o consultava.

O I Ching, para quem ainda não o conhece, é um livro de 3.000 anos e seus símbolos remontam à origem mítica da própria China, com cerca de 5.000 anos.

Há inúmeras personalidades que costumam consultar o I Ching. Talvez caiba então uma questão: O que levaria alguém -- ou a mim -- a consultar o I Ching hoje, na atualidade?

A resposta é bem simples:

1º O interesse no auto-conhecimento: Por que estou nesta situação? Ou, melhor ainda, para que estou nesta situação? Por que eu – meu grupo – minha família?

2º Esperança: aquela convicção de que deve haver uma solução que me satisfaça, que me alivie. Ou ao grupo.

3º Auto-confiança: sentir que sou (ou que somos) capaz(es) de ultrapassar esta situação, de honrar o custo da sua superação.

Caso haja interesse, o psicólogo Raul Monteiro, desde 1992 tem iniciado pessoas no uso oracular do I Ching, isto é, para utilizá-lo como oráculo: elaborar uma pergunta, realizar o processo de consultá-lo e praticar a meditação necessária para compreender sua resposta. Ou respostas. (Sim, às vezes acontecem!)

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Raul relata que deparou-se com o I Ching pela primeira vez nas páginas de O Pasquim, em 1970, num artigo do Millôr Fernandes. Desde então, não mais o largou. "Ajudei muitas pessoas a tomarem decisões cruciais sobre suas vidas, profissional, pessoal e familiar", relembra Raul. Em 1999, ano em que se graduou em Psicologia, depois de anos buscando uma psicologia comunitária de base junguiana, ele encontrou o Trabalho Processivo de Arnold Mindell.

Um dos livros de A. Mindell, O Caminho do Rio¹, possui dois capítulos sobre o I Ching. O autor alerta, no capítulo 7:

"Recomendo ao leitor não familiarizado com o taoísmo que estude o Tao Te Ching e que experimente (consultar) o I Ching, para saber mais a fundo como funciona a teoria do processo." (MINDELL, 1991, p. 99)

Para Raul, as consultas que ajuda a elaborar (sem tomar conhecimento delas) não estão voltadas à previsão de acontecimentos futuros, e sim servem de orientação pessoal. "A tradição mais nobre do uso oracular do I Ching sempre deu prioridade à busca do auto-conhecimento, ou seja, usar o Livro das Mutações como uma ferramenta de contemplação da própria vida, para poder perceber a margem pessoal de liberdade de ação a cada momento, e ser capaz de fazer dela o uso mais sábio possível", conclui.

Parece complicado?

Complicação parece ser um atributo da vida. O I Ching pode nos ajudar a vê-la com mais propriedade e segurança interior.

Mas talvez você se interesse por um curso vivencial que habilite para uma vida de casal mais intensa e íntegra.

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¹ MINDELL, Arnold, O Caminho do Rio, São Paulo: Summus, 1991
 

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