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Pesadelos e esperança

Esperando... até quando?Esperando... até quando?

Um menino de 13 anos foi exposto nas redes sociais e sua existência colocada na primeira página da grande imprensa, confessando candidamente ter morto, com outros 2, à faca um motorista de ônibus e ferido um trocador, que morreu 3 dias depois.

 

A cidade ficou, literalmente, nas ruas com uma paralisação dos profissionais do transporte coletivo em protesto contra a insegurança.

 

Minha companheira foi assaltada ontem no carro, com nosso filho de 6 anos dentro. Eu assisti! Estava do outro lado da rua, esperando que ela abrisse o portão para eu sair e vendo(!) ela “conversar com alguém”, o assaltante, numa moto.

 

Mais tarde, naquela noite, o policial que registrava a ocorrência do assalto, nos transmitia seu desalento com aquele “pesadelo” e uma falta de esperança de haver alguma solução.

 

Sou psicólogo há 15 anos, mas aprendi, quando estudava psicologia analítica(1) 30 anos atrás, que sonhos noturnos são significativos e que pesadelos só são brutais e assustadores porque não entendemos ainda a sua mensagem.

 

Explico melhor. Os sonhos, na visão das psicologias transpessoais(2) – como o Trabalho Processivo,(3) que aplico atualmente, são mensagens vindas de nossa essência, que poderíamos chamar de Eu superior, ou mesmo Deus, de acordo com o que acreditamos.

 

Tente, por um instante, ficar no lugar desta essência, da “sua” essência. O que você faria, se alguém que você considera e ama (no caso você mesma!) ignorasse completamente todas as suas tentativas de comunicação, num assunto de vida ou morte?

 

Não ficaria agoniada? Não tentaria sacudir, dar um choque? Usar até de violência!? Pois esta é a lógica do pesadelo! Quanto mais forte, mais importante a mensagem!

 

E aqui, eu tenho a alegria de apresentar... a esperança! No momento em que compreendermos a mensagem oculta... o pesadelo cessará por completo!

 

Voltemos agora ao assaltos. Não nos parece realmente um pesadelo esta escalada de violência? Com pais de família mortos e pessoas cada vez mais jovens envolvidas com o crime?

 

E se este “pesadelo” de nossa realidade consensual, da mesma maneira como os sonhos noturnos, for devido a não estarmos entendendo sua mensagem? E, neste caso, que mensagem poderia ser esta!?

 

Bom, aqui nós podemos ajudar: Esclarecendo que os sonhos precisam ser interpretados a partir deles mesmos; Que as pistas de sua tradução para nossa linguagem cotidiana, estão todas nele; E que você tem todas as condições para interpretá-los porque quem mandou (lembra?) considera demais você!

 

Outra grande pista, ou princípio geral, para interpretar um sonho é este: as aparências geralmente enganam. É preciso desconfiar, fugir das certezas, não cair na armadilha do aparentemente óbvio.

 

E não nos pareceria óbvia demais a interpretação “dada”(?) insistentemente pela grande imprensa e pelos programas policiais? A “vítima” é sempre um pai de família, o “cidadão” ou “nós” e o “culpado” é sempre um marginal, o “menor” ou “eles”?

 

Eu, tinha passado todo o dia com uma sensação de aflição por saber que poderia ajudar a nossa sociedade a entender o pesadelo que a assombra e com isso facilitar o resgate da esperança que tanto nos ajudaria a resolvê-lo.

 

Minha contribuição, neste momento, é oferecer algumas perguntas para extrair do próprio "pesadelo" a mensagem que nos trás e, com esta compreensão, efetuar as mudanças que precisamos para uma paz conquistada e... merecida: 

  • Quem ganha com a nossa falta de esperança?

  • Existiriam outras “vítimas”? Quem seriam?

  • Existiriam outros “culpados”? Quem seriam?

  • Você sabia que um assaltante ao roubar, (e quanto mais jovem, mais imprevisível) está sob os efeitos de alguma droga? Sendo arriscadíssimo o diálogo neste momento?

  • Você sabia que se motorista e trocador escaparem com vida de um assalto, não escaparão de responder com seus próprios bolsos pela quantia roubada?

  • E nossas escolas públicas? Saberiam como orientar seus alunos a se prevenir ou a sair do crime organizado?

  • E nossos centros sócio-educativos para menores infratores? Saberiam como dar a estes meninos e meninas o limite e o respeito que precisam e merecem para querer progredir dentro da sociedade?

Se você considera que ainda não sabem, cabe aqui uma pergunta, que sopramos ao vento há mais de três anos:

  • Porque as escolas e os centros sócio-educativos do Ceará não se abrem para conhecer e testar uma metodologia que aplicamos há 8 anos – o Trabalho Processivo, e verificar se ela poderia, de fato, trazer alguma esperança para todos nós?

Raul Monteiro

Psicólogo

1) Psicologia Analítica é a psicologia do psiquiatra e psicólogo suíço Jung, principal discípulo de Freud que foi expulso pelo mestre por colocar a religiosidade e a arte como energias psíquicas e não como sublimações da sexualidade.

 

2) Psicologia Transpessoal responde às necessidades do ser humano de transcender sua psique pessoal, conectando-se ao todo, a outras realidades mais abrangentes e estados não ordinários da consciência.

 

3) Trabalho Processivo ou Psicologia Orientada pelo Processo é um paradigma que faz a ponte entre a psique e a matéria, entre nosso interior e o exterior

 

ARTIGO SOBRE VIOLÊNCIA NAS RUAS AQUI

Violência

Raulzão, primeiro quero lhe parabenizar pelo trabalho realizado. Não sei se você se lembra, mas fomos colegas na Escola de Engenharia. Sei que você é muito melhor psicólogo do que engenheiro e Deus te abençoe por isso. Eu aprendi por outros caminhos que a gente é responsável por nossos atos. Colhemos o "castigo" pelos nossos erros e colhemos a bonança pelos nossos acertos. Isso vem desde o tempo de Moisés com a lei do talião: Olho por Olho, Dente por Dente. Então, aqui no nosso mundo material, as faltas cometidas pelas pessoas contra as normas de conduta eleitas pelas próprias pessoas devem ser punidas pelo aparelho punitivo, composto das Leis, o aparato policial, os Julgadores e os equipamentos presidiários. Lembro-me sempre de uma conversa que tive com cunhado meu, Hugo Machado, que é advogado tão bom como você é bom psicólogo, e ele afirmou à minha pergunta sobre a violência. Ele respondeu que perguntou a mesma coisa a um delegado de polícia e este lhe respondeu: nós temos aqui em Fortaleza mais de 28.000 mandados de prisão; se nós efetuarmos essas prisões todas, onde iremos por esses presos? Então a solução não pode ser pontual, tem que ser pensada pela sociedade e encaminhada a solução para pessoas eleitas para resolver os problemas da nação e não para trabalhar para sua reeleição! Bom, já falei demais, Um grande abraço, Antonio Farias.

Caro Raul,Quero lhe

Caro Raul, Quero lhe parabenizar pelo texto e assunto.

PESADELOS E ESPERANÇA

Muito bom o artigo. Qual a solução para a violência infanto-juvenil?

Solução ou atitudes que geram soluções?

A solução para um problema, está contida no próprio problema. Esta é a mensagem do artigo.A atitude diante do problema é que faz a diferença porque ela facilita que a solução emerja a partir dos atores envolvidos.

Não entendo por que nossos

Não entendo por que nossos governantes não fazem nada para mudar a saude e segurança neste pais, todos sabemos que tem que ser tolerancia zero, mas nada é feito. Sugiro sairmos as ruas para exigir fim da fiança para aquele que seja pego armando, e que seja usado as imagens para prender pessoas que usam armas para cometer crimes independente de haver vitimas. Este deve inicar sua pena imediatamente sem direito a liberdade, sem direito a progressão e outras vantagens, temos que ser mais duros contra o crime. As pessoas assassinadas com armas não receberam nenhuma clemencia... O cidadão de bem não usa arma, então se esta armando ou é policial ou é bandido, e se for este ultimo deve ser preso. As armas estão acabando com as familias e com o país. Quem sabe assim os bandidos ficam com medo de usar armas.

O que não entendemos?

Amig@, Você se coloca, sugere e afirma. Lembro apenas que o medo aumenta a violência e é o oposto do diálogo (eros). Minha recomendação é entendermos porque não fazemos nada. Porque (a maioria de nós) não vamos para as ruas. A solução interior é sincronizada com a exterior. Esta é a essência de nossas propostas.

Um sonho em construção

Maravilhosa contribuição do psicológico, pai e capoerista Raul Monteiro. São questões a se aprofundar, de forma individual, coletiva e universal. Não creio que vivenciamos um caos. Nós respondemos pela própria construção de sociedade que somos responsáveis. Fatores e mais fatores a serem discutidos e analisados, as abordagens propostas, precisam ser consideradas, pois as que estão sendo praticadas já mostraram-se ineficazes. Faço um aparte, que vem de minha vivencia ao longo de mais de uma década. Os jovens, adolescentes que praticam assaltos não estão SEMPRE sob efeito de drogas. Alguns, mesmo jovens possuem trato e experiência no assunto. As questões que levam muitas vezes ao extremo da violência não se encontram na ação em si, a qual surge mais como sintoma, explosão resultado de outras violências pré-existentes. E assim o ciclo se perpetua. Parabéns, pois seu artigo nos abre portas para muitas percepções.

Ufa!

Ufa! Esse artigo a gente não consegue parar de ler. Chama muita a atenção, principalmente no momento que vivemos.

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